A cada 10 nomeados para o cargo de Auditor de Controle Externo do TCE-RS, apenas 4 permanecem ativos. O que esse dado revela?
A Diretoria da ASTC recebeu com preocupação os dados de rotatividade na carreira. Mais do que um indicador numérico, trata-se de um sinal claro de fragilidade estrutural. Quando mais da metade dos nomeados não permanece, evidencia-se um problema relevante de retenção, que exige enfrentamento imediato. No quadro a seguir observa-se que de um total de 179 nomeados, no concurso de 2018, 102 pessoas desistiram da carreira.

A alta rotatividade compromete diretamente a capacidade institucional. Trata-se de uma carreira de Estado que exige formação contínua, acúmulo de conhecimento e experiência prática. A saída frequente de servidores interrompe esse processo, gera perda de memória institucional e impõe custos administrativos relevantes e muitas vezes invisibilizados.
Cada nomeação envolve mobilização da estrutura administrativa, análise documental e atos formais. A posse demanda tempo de equipes e organização institucional. O curso de formação exige investimento em capacitação, instrutores e dedicação de servidores experientes. Quando há evasão, esse investimento é parcialmente perdido e precisa ser repetido.
Os dados até abril de 2026 reforçam esse cenário crítico. Das 179 nomeações, 59 não produziram efeitos, restando 120 empossados. Entre esses, 43 foram exonerados, movimento já associado à questão salarial, que evidencia a baixa competitividade remuneratória da carreira.
Como resultado, apenas 77 servidores seguem compondo os quadros. Ou seja, menos da metade das nomeações se converteu em permanência. Observa-se, assim, uma dupla perda: na entrada, com nomeações sem efeito, e após o ingresso, com exonerações.
Esse quadro confirma que a política remuneratória vigente não tem sido capaz de sustentar a atratividade e a permanência na carreira. O Tribunal desperdiça não apenas profissionais, mas também recursos públicos, memória institucional e eficiência administrativa.
Fortalecer a carreira de Auditor de Controle Externo é, portanto, uma medida estratégica. Valorizar a remuneração é condição central para atrair e reter profissionais, garantindo assim, um controle externo estável, qualificado e à altura de suas responsabilidades institucionais.